Comprimidos

Leia a bula.

Ao persistirem os sintomas, procure um médico que saiba responder algo além de "deve ser amor".
Que coisa doentia.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Novo projeto, criando vergonha na cara e maiores considerações.

Então, olá. Esses dias comecei a me dedicar à um novo 'trabalho', uma espécie de literatura diferente da que eu tô acostumada e que, se não me engano, só postei um exemplar semelhante por aqui. Espero que alguem tenha lido o conto Moulin Rouge Contemporâneo porque foi ele que me estimulou à esse projeto.
Como ele tá bem no começo e a insegurança é grande - perceptível nesses mais de cinquenta posts, certo? - eu não tenho pensado em criar um endereço virtual só para publicá-lo. No entanto, como tenho o minimo de respeito, afeto e vergonha na cara resolvi avisá-los, é. Segue então o prólogo do possível livro intitulado Cíntia: talvez melhor que Christiane.

***

O conteúdo desse livro é totalmente fictício, logo deveria ser a minha verdade.
Se você se identificar com a personagem tem uma enorme probabilidade de ser minha amiga. Não que isso valha muito.


Reconhecimento especial a todas as editoras que desligaram na minha cara. Minha conta de telefone agradece.
Para Vitória, a melhor amiga e oposição em discussões polêmicas que pode existir.
Mateus, meu parceiro no crime e presentinho das férias.
Antonia, i’ll never let you fall.
Gordios, bolinha peluda.
Rafa, minha versão masculina. Ou seria feminina?
Luiz, o cara mais incrível que conheço. Love ya, man.
Leo, que não é Leonardo, porque é gangsta e me dá medo e apululu.
Menee, Ana, Isa e Mari. Quarteto fantástico, minhas meninas.
Sem esquecer da Ju, exemplar impecável de amor ao próximo.
Bruno, que ainda me faz sorrir sem perceber. Eu preciso de você, querido.
E para The Fratellis, Phoenix, The Pigeon Detectives, Sugarplum Fairy, Strokes e The Holloways por embalarem muitas das minhas noites pouco férteis.

::Prólogo::

Morar no Rio de Janeiro nunca foi uma opção. Na verdade, quase nada na minha vida foi escolha própria. Pais rígidos, dominadores, responsáveis e chatos pra cacete. Nunca duvidei sobre ser adotada. Mas não porque me pareço com eles, é que provavelmente eu fui chocada. Ou cagada, vai saber.
Cresci como uma criança feliz, normal... Mentira, não cresci. Continuo com os míseros 158 centímetros desde os quatorze anos. Puta que pariu, nem meus hormônios me suportam. O bom é que homem até gosta de mulher pequena. Deve parecer fofinho, quase uma criança. Ou então porque é mais fácil pra esconder da esposa, pagar um e etc. Homens.
Voltando a minha vida as voltas com Barbies – que sempre acabavam sem cabelos e carinhas nos peitos – de certa forma, eu era feliz. Exceto pela parte em que eu jogava damas, xadrez, sueca, totó e o diabo a quatro. Sozinha. Meu autismo não identificado constituiu grande parte da minha infância deprimente. Pré-adolescência foi marcada pelos estudos excessivos. E por eu ter engordado feito uma vaca. Eu, que sempre fui muito desastrada, passei a ter medo de tropeçar pra não sair rolando por aí. Gorda e humilhada seria demais pra mim.
- Mas filha, você não era gorda. Só era supernutrida.
- Tá. Tchau, mãe.
Quando completei dezoito, decidi aloprar. Quase duas décadas de escravidão mental me pareceram suficientes. Passei por diversos groupies até perceber que isso era mais babaca do que aceitar as regras dos meus pais.
Pelo menos eles têm a desculpa de que “você saiu do meu saco” ou algo do gênero, mas essas gangues grotescas de hoje em dia só servem pra sugar seu cérebro e te fazer comprar maconha.
Então resolvi viver a minha vida do jeito que dava. Saí de casa e passei a me virar com trabalhos provisórios. Lojas de discos, bibliotecas, danceterias e essas porras que você fica na porta conversando com os outros e dando sua opinião sobre tudo que existe ali. Se tem uma coisa que eu faço com prazer é lidar com as pessoas. E sexo, claro. Não vou falar da minha primeira vez porque, sinceramente, eu não gosto nem de lembrar. Só sei que aquele gosto de cola com farinha de pobre foi uma das piores coisas que já provei na vida.
Cíntia, 19, carioca, sádica, babaca nas horas úteis e zumbi nas vagas. Provavelmente temos alguma coisa em comum. E por enquanto é o que basta você saber.


I'm like a child except my imagination's lost.
The Escapologist – Sugarplum Fairy

4 comentários:

Geraldo de Barros disse...

interessante projeto. desejo que o realize. sucesso!

um abraço,
G

Guilherme Rodriguez disse...

Pelo prólogo, parece ser um romance e tanto... Fiquei curioso... (;

Julia Malaguti disse...

Boa sorte no projeto, já tentei ha alguns anos, mas percebi necessitar de algo que não possuía na época, e até hoje julgo como tal, que era dom e maturidade. Pois é, trabalhe sempre tendo isso como base.

Vinícius disse...

prólogos nos conquistam ou nos afastam completamente dos livros. o seu não só conquistou, mas excitou a leitura ferrenha de uma obra. vamos ver no que dá (: