Comprimidos

Leia a bula.

Ao persistirem os sintomas, procure um médico que saiba responder algo além de "deve ser amor".
Que coisa doentia.

domingo, outubro 31, 2010

Construção é questão de prefixo.

Cansei de ser dramática.
Mas cansaço não me basta pra deixar de ser. Se respirar desse trabalho, talvez eu não o fizesse... A preguiça me move o suficiente pra me manter estagnada. Minha vontade de nada é tudo que reside.
E parece que ninguem se importa com essa minha apatia. Eu sou a vítima, a causa, o acidente. Sou o desastre, o fênomeno nada grandioso, o aborto. Mas nada disso é aparente. Nada é expelido para fora dessa minha cabeça confusa, ferida, deslocada.
E, ainda assim, apesar de indiferente, consigo atravancar as rotas alheias.
Ocupo espaço, gasto oxigênio, água, luz, gás, comida, roupas, pessoas, sentimentos que nem ao menos são dignos de mim.
E nem sei bem como o faço. Não me sinto aqui. Talvez eu de fato não esteja. E, se for verdade, Buarque me traduziu antes mesmo d'eu nascer. Morri na contramão atrapalhando o tráfego.

3 comentários:

Menino de asas disse...

obrigado pelas palavras. Você salvou meu dia.

Mariana Stutz disse...

Se fosse possível desenhar o espanto dos meus olhos ao se abrirem em surpresa pela coincidência de sentimentos...

Aquilo de ler o que você gostaria de ter tido, mas ficou entalado na incapacidade (ou na preguiça). Entende?

Sr. Reticente disse...

Vontade de nada tem me consumido já faz um bom tempo... Vontade de nada sempre me leva pra onde não quero ir. Pensando em mudar o nada... Mas falta vontade!